domingo, 17 de agosto de 2008

Cervejice australiana


Uma das coisas mais lindas da Austrália é a imensa, sufocadora quantidade de diferentes marcas de cerveja em qualquer bodega que tu entre. Alguma exageram, como é o caso do The Alibi Room, em New Farm. Saca a geladeira ali em cima. Cada vez que vou lá, demoro uns 5 minutos, no mínimo, pra escolher a cerveja. Eles tem bastante coisa importada, tinha até Quilmes uns dias atrás. Mas eu vim pra cá pra beber a cerva do Crocodilo Dundee.
Tem várias que valem a pena. Coopers, Cascade e Crown são algumas das minhas preferidas. Mas tu tá sempre conhecendo rótulos e sabores novos. O último que conheci foi a Beez Neez, uma cerveja de mel, deliciosa.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Escrito no Céu



A pessoa que pagou por este avião-desenhista deve ter feito uma merda muito grande. Sábado de manhã, eu e Carol indo tomar café da manhá em West End, quando vemos essa declaração no céu de New Farm.


Sou um cara modesto, mas quem me conhece sabe que sempre tive ímpetos artísticos. Meu amor pela música é o mais óbvio, depois de tantas bandas e cantorias pelas noite do mundo. Mas confesso que sempre quis ser, além de músico, pintor, escritor, poeta (este eu já desisti, graças a deus) e arquiteto. Bem, nas próximas semanas devo adquirir uma Canon EOS 450D que estou namorando desde que cheguei aqui na Austrália para, logo mais, tentar, quem sabe, "virar" fotógrafo...
E como que por ironia foi aqui, em Brisbane, com meu currículo fake de garçom e lavador de pratos, que finalmente consegui um emprego no campo das artes: há cerca de um mês sou um dos jovens garçons do Foyer Bistro, privilegiadamente localizado dentro da Galeria de Arte Moderna da cidade. O lugar tem uma vista fabulosa, quase na beira do rio, com uma ponte que fica especialmente linda durante o pôr-do-sol. É todo moderninho, mas meio mal-bolado para um restaurante, com espaços mal-utilizados. Mas é bonito.

O trabalho rola no horário dos sonhos desde quando trabalhava no Santa: das 10 da manhã às 5, de segunda a sábado, e algumas noite de sexta, até as 10. Salário básico, 17 por hora, e menu sofisticadamente simples e gostoso: scalops, pasta, peixe, galinha, soupa de cebolas, goujons, queijos, vinhos, etc. Semana passada rolou por lá a melhor boca-livre dos meus tempos de Austrália: fomos pagos para ficar 2 horas comendo tudo do menu e provando todos os vinhos da casa.
A galera que trabalha por lá é tudo juventude, e o público é basicamente formado por coroas que vão para lá fofocar e tomar um chá. Mas já me infiltrei na trilha sonora e agora o que rola nas caixas de som do bistro é Beatles, Beulah, Seu Jorge, Tom Jobim, Tom Zé, Neil Young, etc. As coroas não se importam. Mas é fácil decidir, pelo público que vai ali no bistro, que lugar de arte pulsante não é no museu, mas nas ruas, nas galerias independentes, cafés e pubs com música ao vivo. Ali, no museu, fica a arte oficializada. Que também vale a pena, especialmente até 14 de setembro, quando a galeria expôe a coleção de pinturas do mestre Picasso. Como minha camisa propagandeia com classe e finesse...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

West End - The Shire


Meu primeiro post específico sobre West End não será sobre o primeiro lugar que conhecemos, o já citado Lock 'n' Load, na Boundary Street. Vou escrever sobre o pico que comanda uma das melhores segundas-feiras que já tive notícia nesses meus 28 anos de boemia. O lugar é denominado uma casa de chá (tea house), mas parece que é de cogumelo: trata-se do The Shire.
Já ouvi que o dono só abre o bar quando quer, exceto nas segundas-sagradas-feiras. Aí, o que rola lá é uma mistura de Jamaica e praias do sul catarinense. Mais pelos biotipos e pela sonzera do que pelas belezas naturais, já que o bar não passa de um boteco cheio de pinturas coloridas nas pareces. O lugar não serve birita, então você pode trazer de casa e pagar (ou não) 3 dólares por pessoa por uma espécie de "rolha". Mas dizem que tem um dos melhores Chai Teas da cidade, seja lá o que isso for.
O importante é que, sendo segunda-feira, nadade trampo na terça de manhã, simbora pro The Shire. Sempre uma banda tocando, normalmente dub, instrumental e chapado, e um público extremamente comunicativo, formado especialmente por brasileiros, australianos, colombianos e europeus. O clima é de amizade e sossego, com a galera curtindo o som na calçada, na maior paz.
A balada começa cedo, umas 8 da noite já tá rolando, e termina às 11 da noite, horário ideal para pegar um dos últimos ônibus para casa.
No The Shire vi um dos contrabaixos mais loucos da minha vida. Ele pertence ao Donnie, coroa maluco que comandou o show no nosso primeiro dia de Shire. Feito para tocar como um baixolão, ele é feito apenas por um longo pedaço de eucalipto. Bom para levar por aí e com um som denso, perfeito. Brinquei com ele um pouco e fiquei afim de ter um igual...

Logo mais, um videozinho pra mostrar o som (é que tá meio escuro, hehehe) do Shire...

Tira-gosto: Kafta Funk Explosion no Lock n Load

Domingo é o melhor dia da semana se você sair de casa e procurar. Basta seguir para West End, onde domingo, 4 da tarde, curtimos essa sonzera toda aí de graça, no Lock n Load, um dos melhores picos de Brisbane. Os caras tem forte influência do Fela Kuti e outros african jazzmen. Coisa finíssima!





Ouça o som com melhor qualidade (e umas músicas inteiras) no Myspace da Kafka!

Tesão de escrever e Bizarrice ornitológica

A citação do post anterior foi extraída do livro que estou lendo agora, The Art of Travel, Alain de Botton. Páginas deliciosas que me deram aquela coceira para, depois de certo tempo, voltar a escrever com calma, com tesão, criatividade, curiosidade e estilo, sobre a nossa vida aqui em Brisbane.
Nos próximos dias, quero contar aqui, ao lado da Carol, sobre West End, o verdadeiro pico aqui de Brisbane (uma Lagoa da Conceição, uma Vila Madalena, uma Lapa queenslander), sobre arte, música, cervejas e cafés, sobre os perrengues e prazeres dessa vida de trabalhador estrangeiro, sobre amigos malucos e transitórios, etc, etc, etcetera.

Mas não hoje. Não agora. Agora espero Carol voltar do novo trabalho em um restaurante aqui do lado de casa, o mesmo onde trabalhei mês passado, e quero ficar com ela. Não nos vimos o dia inteiro, trabalhando em horários diferentes. Então, os presenteio com o verdadeiro "conto bizarro" que Carol testemunhou e me contou enquanto eu registrava a história no word, depois de vinhos e cervejas no The Shire, a melhor noite de segunda-feira que já vi na vida. Assunto para outro post, aquele sobre West End. Fiquem agora com:

Os corvos íntimos

Uma sacola de mercado em cada mão. Leite, ovos, ameixas secas, pão, broto de alfafa, morango, café com irish cream e gergelim. Resolvi, ao contrário do costume, entrar em casa pelos fundos. Passava pela lavanderia pra ver se a roupa que havia colocado na máquina estava pronta para estender no varal quando ouvi música vinda da janela do vizinho ex-punk atual consumidor de metadona subsidiada pelo governo australiano e jardineiro não-oficial do nosso condomínio, o amigável Terry.
Olhei para cima instintivamente, buscando aquele som, e aí passei a presenciar a maior bizarrice aviária da minha vida. A galera aqui não tem o costume de grampear a roupa no varal. Na verdade, normalmente esquecem ela ali, por uns dias, sob sol, lua e chuva. Aí caem cuecas, toalhas, etc na grama.
Pois foi quando dois malditos corvos – desculpe, Rudi, mas são os mais infernais pássaros “urbanos” que já tive o prazer de conviver, os malditos Australian Crows – desceram das cordas do varal para o chão, onde cataram, um uma meia preta, o outro uma calcinha cor-de-rosa, para saírem voando, levando ao bico aquelas peças íntimas de alguma australiana desleixada.
A pessoa provavelmente foi dormir delirando no porquê de alguém ter-lhe roubado uma meia (não o par) e uma calcinha. Será que é macumba? Será que foram aqueles vizinhos indianos? Ou o punk doidão? Ou Donald, o anão? Ah, meu Deus!
Bem, minha roupa eu grampeei com todo cuidado...

domingo, 3 de agosto de 2008

The Art of Travel, Alain de Botton

"If our lives are dominated by a search for happiness, then perhaps few activities reveal as much about the dynamics of this quest - in all its ardour and paradoxes - than our travels. They express, however inarticulately, an understanding of what life might be about (...)"